Mostrando postagens com marcador terapia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador terapia. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 6 de março de 2012

The Kiss, pt. 02x01


Seus passos eram ágeis e exatos. Ecoavam pelo corredor frio e solitário, em choque com seu espírito inquieto e que naquele momento ardia de rancor. Parou por alguns segundos, acendeu um cigarro, apoiou suas costas em uma das paredes do corredor, tentava respirar com menor velocidade. Diminuir a circulação de adrenalina. Fazer um que seu sangue percorresse normalmente pelo seu corpo. Tragava no ambiente fechado encarando a lâmpada acesa. Ouviu o barulho de outros passos serem emitidos pelo corredor, eram calmos e pelo som, femininos. Olhando para o lado, avistou uma jovem de cabelos castanhos, estatura baixa, vestindo uma calça legging, oxfords pretos e uma blusa estampada; carregava uma bolsa a qual em sua visão parecia grande de mais para ela. Era do grupo. Um dos poucos que o tolerava e defendia. Como ele, não era italiana. Pouco a pouco, notou que a morena o encarava e se não estivesse enganado, vinha em sua direção. Parou poucos centímetros de seu corpo em sua frente, não sabia desvendar seu rosto, os segundos pareciam minutos e dando a última tragada jogou o que restou do cigarro no chão pisando logo depois no mesmo. — Eu sei, ele faz aquilo de propósito. —Os olhos da jovem encararam por alguns segundos o chão, deu um leve sorriso. — Talvez eu deva realmente sair do grupo. — Formou um leve sorriso em seus lábios dizendo o que antes estaria refletindo. Viu o cenho da jovem franzir de leve ao ouvir aquilo e antes mesmo que pudesse se explicar, ao abrir seus lábios sentiu os da jovem encontrarem os dele. As mãos macias dela envolta de seu pescoço o puxando para baixo, pela diferença de altura que tinham, deu um sorriso no canto da boca enquanto a beijava, segurando-a pela cintura a levantando o pouco que fosse. Antes que pudesse se aventurar, sentiu os lábios doces da mesma se afastarem. A olhou confuso querendo continuar. Suas mãos começaram a se distanciar de seu corpo. — Adamo não percebe. Mas eu sei que você quer participar. Continue no grupo. Eles parecem malucos e desequilibrados, mas são legais. — A ouvindo, fora a abaixado lentamente e tirando as mãos de sua pequena cintura. — Pense nisso, está bem? — O toque da mão macia e quente da jovem em seu rosto o fez fechar os olhos por alguns segundos, acenou com a cabeça. — Ótimo. Lhe vejo semana que vem então! — Sua voz era empolgada, tinha um sorriso em seus lábios deixando a mostra seus dentes perfeitamente alinhados. Seus olhos verdes pareciam brilhar. Em poucos minutos, estava a sair do corredor, não corria, mas tinha passos ligeiros como os de quem tinha costume de não utilizar nenhum meio de transporte. — Hey! Mas.. Você me beijou. — Tinha uma expressão no rosto como a de um adolescente confuso, em resposta, a jovem teria sorriso sem graça. — Eu sei. Achei que você precisava.

The Kiss, pt. 2


(…) — Acho que tudo começou com a minha primeira namorada. No colegial ainda. Ela era incrívelmente atraente e nunca me contava o que sentia, achava que aquilo a tornava mais intrigante. Mas acho que errei. E vocês? Quando tiveram seu primeiro beijo? — As mãos calejadas do homem teriam parado de amassar em tentativas de modelar suas aflições no lenço utilizado antes para secar suas lágrimas. Encarava as outras almas sofredoras ali. Um círculo feito de pessoas. Frágeis. Em contradição. Magoadas. Demoraram alguns segundos para emitirem as ondas sonoras de suas vozes em resposta ao homem. Os lábios da mulher ao seu lado se moveram, possuía grandes olhos castanhos, rosto fino, lábios grossos, uma beleza única mas que ao primeiro olhar parecia oculta. Seu nome era Catarina, por ironia, seu nome não houve influência em sua personalidade, era uma jovem executiva que teria terminado o namoro de longa data com um homem que a agredia; e temia ter feito um enorme erro. — Treze anos. Basilica di San Lorenzo. Eu tinha ido rezar com a minha mãe para a saúde de meu pai. Havia turistas naquele dia e.. Ele era americano. — Um sorriso maroto e a alegria fora vista pela primeira vez ser pintada em seu rosto, algumas mulheres do círculo deram uma leve risada, os homens alguns se atreveram em dar um leve sorriso. — Doze anos. Estávamos no colégio, a beijei no bebedouro. — O ar ali começava a ficar mais leve, sorrisos, cores, olhares, lembranças, corações voltavam a bater por alguns segundos. Uma, duas, três, quatro pessoas teriam relatado seus primeiros beijos, era a vez de Sebastian. Era o mais novo integrante do grupo de apoio, e um dos mais jovens; a hostilidade que se tinha com o homem era grande, sempre tentava ser apaziguada, mas todos sabiam que muitos ali não apagavam a idéia de que ele estivesse ali à força. Era alto, possuía cabelo louro escuro e olhos claros, possuía uma expressão séria; raramente falava, para alguns era carregado de um ar arrogante, para outros, era o que mais precisava de ajuda ali. Todos o olharam curiosos, sorrindo, esquecendo por alguns minutos as ideologias que possuíam sobre qualquer membro ali, quando o jovem deu um leve sorriso sarcástico e se arrumando na cadeira abriu seus lábios. — Passo. — Alguns corações somente ignoraram a recusa do loiro e continuaram a palpitar com o passado colorido, outros, o sentimento de rancor teria pingado novamente os fazendo revirar os olhos prosseguindo com a pergunta para o próximo. Carnaval. Casamento da irmã. Adolescentes. Ah, os hormônios, sempre levando o ser humano à insanidade e ao encontro com um dos pecados mais famosos. Era a vez de Ann, era a mais jovem do grupo e mesmo assim, muitas vezes era a mais sábia. Vendo que era a sua vez, deu um leve sorriso corando de leve desviando o olhar do homem que alguns minutos antes teria recusado a responder a pergunta, encarou o chão ainda que com o olhar doce. Molhou os lábios. — Semana passada.